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Como está o mercado da soja?

A cotação da soja, para o primeiro mês cotado em Chicago, subiu um pouco durante a semana e, na quinta-feira (26), acabou disparando, com forte movimento especulativo, puxado pelas altas do óleo de soja, o qual foi apoiado pelas altas do petróleo, voltando a romper o teto dos US$ 17,00/bushel, para se estabelecer, no fechamento deste dia, em US$ 17,26/bushel, contra US$ 16,90 uma semana antes.


Os fundamentos do mercado são os mesmos das últimas semanas, com o clima nos EUA sendo, hoje, o elemento mais importante. Enquanto a safra do país norteamericano não se definir, o mercado da oleaginosa continuará com grande volatilidade. Vale lembrar que, durante a semana, a soja sofreu forte pressão baixista devido ao recuo nas cotações do milho e trigo, porém, acabou não cedendo. Por sua vez, até o dia 22 de maio, com a melhoria do clima nos EUA, o plantio da oleaginosa naquele país avançou mais, chegando a 50% da área total, contra a média histórica de 55% para a época. Cerca de 21% das lavouras semeadas já haviam germinado, contra a média histórica de 26%.


Nos primeiros quatro meses do ano, as importações chinesas de soja do Brasil ficaram em 12,7 milhões de toneladas, contra 6,42 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior. Por sua vez, os embarques dos Estados Unidos chegaram a 15 milhões de toneladas, abaixo das 21,3 milhões de toneladas de um ano antes. Em alguns momentos, no início do corrente ano, os compradores chineses se voltaram para a soja dos EUA porque, com a safra brasileira diminuída, aquela estava mais barata. Já para setembro, os esmagadores chineses de soja diminuíram as compras devido as fracas margens de trituração. Tais margens caíram, desde o início de março, e estavam negativas em 41,97 dólares por tonelada uma semana atrás. (Cf. Alfândega da China).


Dito isso, o mercado acredita que, diante do recuo na demanda por óleo de soja na China, deve haver redução do consumo da oleaginosa no maior consumidor mundial do grão, já que os lockdowns para impedir a propagação de Covid-19 fecharam restaurantes e cantinas por lá. A China é o maior consumidor mundial de óleos comestíveis, sendo que cerca de metade das 17 milhões de toneladas de óleo de soja usadas, todos os anos, vai para fritar alimentos. A demanda por todos os óleos comestíveis, no ano comercial 2021/22, iniciado em setembro passado, deve cair 8,45% em relação ao ano anterior, ficando em 39 milhões de toneladas. Se confirmado será o primeiro recuo neste século XXI, de acordo com o Centro Nacional de Informações sobre Grãos e Óleos do governo chinês. Em março, o consumo de óleo de soja na China caiu 11% e em abril 15%, quando comparado com os mesmos meses de 2019, último ano sem pandemia. Assim, o uso total de óleo de soja será de 16,7 milhões de toneladas em 2022, com uma queda de cerca de 500.000 toneladas em relação a 2019. (cf. Reuters)


De acordo com tradings internacionais, por enquanto os chineses cobriram apenas cerca de 30% de sua demanda mensal de importação de soja para julho e 20% para agosto. Enfim, pelo lado do farelo, a produção industrial de ração animal da China, em abril, caiu quase 11% em relação ao ano anterior, ficando em 22,5 milhões de toneladas, com a ração para suínos caindo 15,2%, devido a matérias-primas caras e margens de ganhos fracas na produção destes animais. conforme a Associação da Indústria de Ração da China. Por sua vez, o USDA projeta que o consumo de óleo de soja se recupere, na China, em 2022/23, com o volume total consumido passando para o recorde de 18,05 milhões de toneladas.

E no Brasil, com o câmbio recuando para R$ 4,80 por dólar em boa parte da semana, os preços da soja também perderam força, mais uma vez. A méda gaúcha, no balcão, ficou em R$ 184,72/saco, porém, as principais praças de comercialização registraram o valor de R$ 178,00/saco. Neste momento, considerando estas principais praças, a soja, em termos nominais, está apenas 9,3% superior ao preço médio estadual de um ano atrás, perdendo para a inflação oficial e sobretudo para a elevação dos custos médios de produção. Em termos reais, o preço atual é menor, portanto, do que o praticado um ano atrás, reforçando o fato de que, neste ano, a soja gaúcha tem menos poder de compra do que um ano antes. Isso tudo, sem ainda considerar o enorme prejuízo com a seca na última colheita. Nas demais praças nacionais, o quadro não é muito diferente, embora em parte das regiões produtoras a última safra tenha sido cheia. Os preços médios, nesta semana, oscilaram, nestas praças, entre R$ 164,00 e R$ 176,00/saco, enquanto no ano passado, nesta mesma semana, eles estavam entre R$ 156,00 e R$ 162,00/saco. Ou seja, um aumento nominal de apenas 5,1% a 8,6% em 12 meses, contra uma inflação oficial de 12,2% no período e um aumento nos custos de produção que supera os 50%. Além da perda de competitividade de nossa soja no exterior, diante da revalorização do Real, os consumidores internos estão mais afastados do mercado comprador, esperando um aumento na oferta local devido ao baixo volume de soja comercializada na safra 2021/22, assim como pelo fato de, com a proximidade da colheita da safrinha de milho, tudo indica que os produtores terão que vender a soja para liberar espaços nos armazéns, já que a falta de capacidade de armazenagem no Brasil é estrutural e está longe de ser resolvida.

Em paralelo, no Rio Grande do Sul, finalmente a colheita de verão se aproxima de seu término, com soja e milho já superando os 90% da área que foi semeada. O atraso se deve ao clima, sendo que nas últimas semanas as constantes chuvas não só atrasam a colheita como provocam novas perdas em muitas lavouras. Pelo lado da exportação, o Brasil espera atingir a 11,3 milhões de toneladas de soja em maio, segundo números revisados da Anec. Na semana anterior, o volume esperado era de 11,5 milhões de toneladas. Este volume representa uma redução de 3 milhões de toneladas em relação a maio de 2021. Já a exportação de farelo de soja, pelo Brasil, deve alcançar 1,9 milhão de toneladas em maio, cerca de 100 mil a menos ante a estimativa da semana anterior, mas um crescimento de 200 mil toneladas sobre maio de 2021. Enquanto isso, ainda segundo a Anec, a exportação brasileira de milho, em maio, deverá ficar em 1,24 milhão de toneladas, sendo que em abril não houve vendas externas do ceral.

Enfim, a Bunge, maior processadora mundial de oleaginosas, mais que dobrou em um ano, o monitoramento dos fornecedores indiretos de soja do Cerrado brasileiro, passando o mesmo de 30% para 64%, com um programa que busca auxiliar a companhia a eliminar o desflorestamento da cadeia produtiva de suas compras. A companhia tem como meta monitorar, até 2025, 100% dos fornecedores indiretos de soja no Cerrado, que totalizam cerca de 16 mil produtores, nas contas da Bunge. A empresa já alcançou o monitoramento de 100% de suas compras diretas no Brasil, Argentina e Paraguai. Atualmente, 52% do Cerrado, que cobre um quarto do território do Brasil, mantém intacta sua vegetação nativa, e preservá-la tem sido uma exigência cada vez maior de consumidores e empresas que valorizam práticas sustentáveis e atividades com menos emissões de carbono. A maior parte das compras de soja da Bunge, no Cerrado, que inclui o Mato Grosso e Estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), é de fornecedores diretos, que respondem por 79% da originação, enquanto uma parcela menor é de indiretos. A soja ocupa cerca de 10% do Cerrado, e dados citados pela Bunge indicam que 97% da expansão das lavouras na região, entre 2014 e 2021 ocorreu em áreas abertas previamente, ou seja, sem desmatamento recente. O programa com as revendas, que fornece a essas empresas a estrutura técnica, como o monitoramento via satélite das áreas do Cerrado, é chave para a Bunge conseguir originar 100% de soja do Brasil livre de desmatamento até 2025. A iniciativa, disse a empresa, colabora para que mais de 95% da soja comprada pela Bunge seja livre de desmatamento, nas chamadas regiões prioritárias, tendo como ponto de referência o ano de 2020. (cf. Reuters) Mas nem todos os produtores de soja, ali localizados, estão preparados para estas novas exigências de mercado. Aliás, uma realidade que se percebe em todas as regiões produtoras do Brasil.

As informações são da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA

Fonte: Agrolink






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