• comercial18125

Como está o mercado da soja?

O mercado da soja encerrou a semana com as atenções voltadas aos relatórios de plantio e estoques trimestrais, posição em 1º de junho, nos EUA. O mesmo foi divulgado nesta quinta-feira (30) pelo USDA. O referido relatório apontou uma alta de 1% na área semeada com a oleaginosa, naquele país, em relação ao ano anterior, levando a mesma para 35,73 milhões de hectares. Já em relação a intenção de plantio, divulgada no dia 31 de março passado, o número ficou 2,97% menor. Quanto ao relatório de estoques trimestrais, na posição 1º de junho, o mesmo indicou um aumento de 26% sobre a mesma posição um ano atrás, atingindo um total de 26,4 milhões de toneladas.


Diante disso, as cotações da soja, para o primeiro mês cotado, que vinham se recuperando bem das fortes baixas da semana anterior estacionaram, apresentando um significativo viés de baixa para os meses futuros. Neste sentido, o primeiro mês cotado acabou fechando a quinta-feira (30) em US$ 16,75/bushel, contra US$ 15,93 uma semana antes. Destacando que o farelo de soja voltou a subir, chegando a US$ 469,90/tonelada curta, no dia 30/06, após ter atingido apenas US$ 407,10 no dia 06/06. Ou seja, em 17 dias úteis subiu 15,4% naquela Bolsa. O óleo igualmente se recuperou durante a semana, fechando a quinta-feira (30) em 69,93 centavos de dólar por libra-peso, após bater em torno das mínimas deste ano, na semana anterior (67,71 centavos).


Dito isso, as condições das lavouras estadunidenses, no dia 26/06, apontavam 65% entre boas a excelentes condições, contra 68% na semana anterior e apenas 60% no ano anterior nesta época. Outros 27% estavam regulares e 8% ruins. Em torno de 7% das lavouras estavam florescendo até a data indicada. Quanto ao comércio exterior, na semana encerrada em 23/06, os EUA embarcaram 468.309 toneladas de soja, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial, o volume embarcado atinge a 51,4 milhões de toneladas, ou seja, ainda 10% abaixo do volume registrado na mesma data do ano anterior.

Neste contexto, o clima nos EUA continua sendo prioridade, na medida em que há falta de chuvas em algumas regiões produtoras do país, enquanto a qualidade das lavouras recua um pouco. Mas há um quadro de potencial melhora do clima nesta virada de mês. Por outro lado, notícias favoráveis, finalmente, vieram da China. Dentre elas, a melhora nas margens de esmagamento de soja e da suinocultura no país asiático. Diante disso, houve forte alta na Bolsa chinesa de Dalian, para os futuros do farelo e do óleo, e o suíno vivo subiu bem durante a corrente semana. Por sua vez, os chineses cobriram adequadamente suas necessidades de soja para a janela de julho até o final de outubro.


E aqui no Brasil, com o câmbio girando entre R$ 5,20 e R$ 5,25, houve certa melhora nos preços médios, porém, não em todas as praças. Assim, a média gaúcha, no balcão, fechou a semana em R$ 177,56/saco, enquanto as principais praças trabalharam com R$ 180,00. Já das demais regiões do país os preços giraram entre R$ 158,00 e R$ 177,00/saco. As baixas nos preços internos do óleo de soja seguraram os preços do grão. O mercado continua muito atrelado a Chicago e na expectativa da futura safra estadunidense, assim como das intenções de plantio da futura safra na América do Sul.


Além disso, o cenário de juros em elevação deixa a presença dos fundos menos intensa nas diferentes Bolsas de commodities. Neste contexto, analistas consideram que a nova safra dos EUA, que começa a ser colhida em outubro, terá preços entre US$ 14,50 e US$ 15,50/bushel em Chicago. Em isso se confirmando, significa cotações entre US$ 1,20 e US$ 2,20/bushel mais baixas do que o valor praticado neste final de junho, para o primeiro mês cotado.


Diante disso, aqui no Brasil, os preços estarão com pressão de queda em função de Chicago, e com forte dependência do câmbio. Lembrando que iniciamos o segundo semestre, onde as repercussões das eleições presidenciais serão intensas até o final do ano. Neste momento, o câmbio voltou a desvalorizar um pouco mais o Real, fato que ajuda a formação dos preços da soja, porém, aumenta os custos de produção, especialmente na área dos fertilizantes e combustíveis. Pelo sim ou pelo não, mais uma vez a prática da realização de média de comercialização da safra é o mais indicado aos produtores.


Neste contexto, espera-se um aumento de 3% na área a ser semeada com soja no Brasil neste ano, em relação ao ano anterior. O plantio da mesma começa em setembro no país, após passar o período do vazio sanitário nos diferentes Estados produtores. A área brasileira com a oleaginosa poderá chegar a 42,2 milhões de hectares segundo os mais otimistas. Em isso ocorrendo, e o clima ajudando, o país poderá atingir uma produção de até 148 milhões de toneladas. E isso tudo mesmo com a rentabilidade menor, devido ao forte aumento dos custos de produção, diante de preços que pouco evoluíram, em termos médios, em relação ao ano anterior. Isso vale especialmente para os Estados que foram atingidos pela severa seca do ciclo anterior. Não se descarta uma queda geral de 50% na rentabilidade em relação ao ano anterior. Também pudera: nas três primeiras semanas de junho, a média de preços, para os fertilizantes químicos comprados no período, chegou a US$ 772,40/tonelada, contra US$ 324,00 em junho do ano passado, segundo o governo federal. Isso representa um aumento de 138,4%, em 12 meses, no valor destes insumos.


Diante de tal realidade, analistas mais cautelosos apontam que a safra nacional de soja possa chegar a 145 milhões de toneladas neste novo ano comercial, sendo que a produção total da América do Sul ficaria entre 200 a 210 milhões de toneladas.


Enfim, sobre o vazio sanitário, importante se faz destacar que o mesmo estará vigorando, no Rio Grande do Sul, entre 13/07 e 10/10 do corrente ano. Neste período, os produtores gaúchos não podem plantar, nem manter vivas, plantas de soja em qualquer fase de desenvolvimento. Este vazio, definido pela Portaria nº 516, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem a finalidade de reduzir a quantidade de inóculo na área e, com isso, frear a ferrugem asiática, pois o fungo causador da mesma se espalha pelo vento, sendo que a doença não é transmitida por semente segundo os técnicos oficiais.


Fonte: Agrolink



1 visualização0 comentário