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Evergrande busca tranquilizar investidores com à medida que prazo final de dívida se aproxima

Presidente da imobiliária chinesa emitiu comunicado às vésperas de ter que cumprir pagamento de juros de US$ 85 milhões. Ações da empresa saltam 18%.


HONG KONG - Enquanto cresce a incerteza sobre o pagamento que a Evergrande se comprometeu a cumprir, nesta quinta-feira, para quitar juros devidos por um título em dólar, o presidente do grupo chinês, Hui Ka Yan, divulgou um comunicado afirmando que a prioridade da gigante imobiliária chinesa é ajudar os investidores a resgatar seus investimentos.

A declaração de Yan veio depois de ter afirmado, na quarta-feira, que havia "resolvido" o pagamento de um título, empurrando o preço das ações da empresa para seu maior aumento percentual em um único dia, desde sua listagem em 2009.


Na quarta, a Bolsa de Hong Kong, onde são negociadas as ações da Evergrande, ficou fechada devido a um feriado local. Mas os papéis da empresa negociados na Bolsa de Frankfurt fecharam com alta de 44,85% após o anúncio do acordo.


Nesta quinta, com a reabertura da Bolsa em Hong Kong, as ações da Evergrande chegaram a subir 32%. No fim do pregão, perderam fôlego e acabaram fechando com alta de 18%, animando as bolsas asiáticas.


Os investidores globais têm estado em suspense nas últimas semanas, já que as obrigações de pagamento da dívida da Evergrande, de US$ 305 bilhões, geraram temores de que um eventual calote poderia representar risco para o sistema financeiro da China.

A empresa deve US$ 83,5 milhões em pagamentos de juros de títulos em dólar, com vencimento nesta quinta-feira, sobre um título offshore de US$ 2 bilhões. Ainda não está claro se ela efetuou o pagamento.


Segundo a CNN, mesmo que ela não tenha cumprido com suas obrigações no prazo, um calote só pode ser oficialmente declarado após 30 dias sem pagamento, o que lhe dá algum tempo para buscar opções.


Ao não cumprir o calendário de pagamentos, porém, os investidores ficam ansiosos e questionam a viabilidade da companhia. Mais pagamentos estão previstos para a próxima semana, incluindo o vencimento de juros sobre bônus de US$ 47,5 milhões.


Sem mencionar a dívida que vence nesta quinta, o presidente do Conselho de Administração da Evergrande instou seus executivos a garantirem a entrega de propriedades de qualidade e o resgate de aplicações de investidores, principalmente os pequenos.


"Supondo que essa situação vá para o caminho de uma reestruturação da dívida, acreditamos que a natureza do investidore de varejo que aplicou em produtos de gestão de fortunas seria priorizada para a estabilidade social", disse Ezien Hoo, analista de crédito do Banco OCBC.


Os investidores estrangeiros, que possuem papéis emitidos por entidades offshore, podem encontrar mais dificuldade de receber o pagamento, pois têm "menor poder de barganha, em comparação com outros credores mais próximos dos ativos", disse ele.


A Evergrande, que simbolizou o modelo de negócios de empréstimo para construção, teve problemas nos últimos meses, enquanto Pequim tornava mais rígidas as regras do setor imobiliário, na tentativa de conter dívidas e especulações em excesso.


Os investidores temem que o problema possa afetar credores, incluindo bancos na China e no exterior, embora os analistas tenham minimizado o risco de que um colapso resulte em um "momento Lehman", ou uma crise de liquidez sistêmica.

Fonte: O Globo







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