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Greve na Argentina mantém 22 portos paralisados e farelo de soja sobe mais de 2% na CBOT

Na medida em que a demanda por farelo de soja cresce frente a um maior consumo de proteínas animais no mundo todo, a oferta do derivado vai também se mostrando um pouco mais limitada. A Argentina, maior exportadora global do produto, continua registrando uma greve dos trabalhadores portuários e reduz o volume de seu produto no mercado internacional. "A greve que já se estende por mais de duas semanas nos portos argentinos deverá continuar, uma vez que não houve acordo quanto às renegociações de salários e benefícios. Assim, os embarques de farelo e óleo na Argentina deverão cair ainda mais, reduzindo assim sua participação no mercado internacional", explicam os analistas de mercado da Agrinvest Commodities. Em nota, o Sindicato dos Receptores de Grãos e Anexos da República Argentina (URGARA), um dos três sindicatos que lidera a greve juntos de outras instituições de classe, afirma que após mais de dez horas de audiência no Ministério do Trabalho da Argentina, "não houve um acordo que pudesse colocar fim ao protesto". Dessa forma, continuam paralisadas as atividades em 22 portos argentinos. Os trabalhadores continuam exigindo os reajustes salariais prometidos para 2020, bem como a revisão de alguns benefícios. Tais condições têm sido combustível para as altas do grão de soja e também do farelo na Bolsa de Chicago nesta semana, principalmente com os rumores que circulam no mercado sobre a mudança na origem dos embarques do derivado dos portos argentinos para os do Golfo do México, como noticia a o jornal local La Nación. Afinal, segundo líderes da paralisação, já se calcula que 4,5 milhões de toneladas de grãos e subprodutos seguem em espera para serem embarcadas em 129 navios. Do total, seriam 1,5 milhão de toneladas de farelo de soja; 1,1 milhão de trigo; 900 mil de milho e 500 mil de óleo de soja. O restante seriam outros produtos, ainda de acordo com fontes ouvidas pela publicação argentina. Dessa forma, os futuros do farelo registram um novo dia de altas na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (16), com ganhos que passavam de 1% na tarde de hoje. O contrato janeiro/21 trabalhava com US$ 392,50 por tonelada, depois de registrar a máxima da sessão em US$ 396,30 e de fechar com US$ 388,00 por tonelada curta no pregão anterior. Somente na última semana, de 8 a 15 de dezembro, os principais contratos do farelo de soja negociados na Bolsa de Chicago já acumulam altas de mais de 2%. O janeiro saltou de US$ 376,90 para US$ 388,20, com alta de 3%; o março de US$ 378,80 para US$ 388,90 subindo 2,67% e o maio de US$ 379,10 para US$ 387,60, com avanço de 2,24%.

FARELO DE SOJA X PRODUÇÃO DE PROTEÍNAS

A valorização intensa do farelo de soja, bem como do milho e, consequentemente da alimentação animal, tem promovido um ajuste bastante severo das margens dos criadores e também da indústria processadora de carnes, de acordo com especialistas ouvidos pela agência internacional de notícias Bloomberg. E o movimento vem sendo registrado nos principais polos exportadores de carnes, entre eles Brasil e Estados Unidos. "No ano que vem, os pecuaristas dos EUA enfrentarão mais inflação nos custos da ração e podem registrar a maior em mais de uma década, o que poderia comprometer sua recuperação depois de um 2020 volátil e difícil", diz Will Sawyer, economista do setor de proteína animal do CoBank ACB. Sua expectativa é de que os custos para a produção norte-americana de carne bovina, de frango e de porco registrem um aumento de 12% em 2021 em comparação com este ano. Ainda assim, a demanda é forte. A China vem trabalhando incansavelmente para a recomposição de seu plantel de suínos, dizimado pela Peste Suína Africana entre 2018 e 2019 - e espera que boa parte deste processo já esteja concluído no primeiro semestre de 2021 e, para isso, vem recompondo seus estoques de grãos, em especial soja e milho, de forma que garanta seu processamento para a fabricação de ração. No Brasil, o aumento nos custos de produção exige adaptação dos produtores. "Os custos de produção estão passando por uma mudança estrutural diante do aumento dos custos da ração e do aumento das despesas provocado pela pandemia do coronavírus", disse o presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin, em coletiva na última semana.

Fonte: Notícias Agrícolas




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