• comercial18125

Mercado gaúcho em retração e importações no topo

O mercado gaúcho do arroz vive um dezembro de retração nos preços nas mais variadas regiões, com muitas praças operando com referências de R$ 95,00 a R$ 96,00 pela saca. Em novembro houve queda no indicador de preços Esalq-Senar/RS, que fechou em R$ 102,30, com desidratação acumulada de 2,73% (equivalente a US$ 19,11). A primeira semana de dezembro encerrou com cotações abaixo de R$ 101,00 e passos largos para baixar dos R$ 100,00 na semana atual. Em dólar, a depender da oscilação cambial, pode até haver valorização.

Se de um lado a chegada do cereal importado sem Tarifa Externa Comum (TEC) dos Estados Unidos, Índia, Tailândia e Guiana está em alta e a estagnação do consumo e vendas do varejo pressionam pela queda dos preços, por outro lado o clima e a previsão de que a área plantada não deve alcançar a intenção de semeadura apontada pelo Irga, de 970 mil hectares, ajudaram a manter os preços acima dos R$ 100,00 por saca. O baixo interesse de venda por parte dos arrozeiros que têm grão ajuda a compor este cenário. Certo é que as cotações buscaram a referência dos R$ 100,00, depois de terem alcançado recordes em setembro/outubro.

O padrão de qualidade do arroz importado, em casca, está dentro do esperado pelos importadores, com base nas amostras, mas abaixo do padrão de qualidade brasileiro, em especial no produto da Guiana, segundo industriais envolvidos. Como é arroz para parboilização, mix e tipos 2,3, 4 e abaixo padrão (ração animal) é aceitável. Já o grão indiano (100b), branco, é considerado de boa qualidade: inferior ao brasileiro, que é um dos melhores do mundo, em especial no percentual de barriga branca/gesso, mas confere com as amostras. A expectativa, agora, é para conferir o padrão do produto tailandês que chegará nos próximos dias.

No mercado livre a referência no Rio Grande do Sul é de R$ 100,00 por saca, mas há negócios entre R$ 90,00 (57% abaixo) e a R$ 110,00 (64%), de acordo com o interesse de venda do rizicultor e a necessidade de compra do industrial. A negociação para o varejo tem fardo (branco, tipo 1) desde R$ 115,00 até R$ 200,00.

Em Santa Catarina as cotações da matéria-prima variam de R$ 81,00 no Norte do Estado até R$ 90,00 no Sul. O fluxo de negociação começou a aumentar no Sul, em função da avaliação, pelos agentes de comercialização e produtores, de que os valores podem cair mais ainda direção à colheita. Se até agora o tempo contava a favor dos produtores, agora começa a contar contra, diante de uma tendência de que os preços, na colheita, caiam.

Entre os agentes de mercado, alguns esperam que a segunda onda da Covid-19, em especial no Sul e Sudeste do Brasil, amplie a demanda. Por outro lado, há agentes que pelo histórico de comportamento das cotações e a baixa demanda esperam o enfraquecimento dos valores ao longo da cadeia produtiva. Mesmo com dois a três meses para entrar a nova colheita, sabe-se que a indústria, o varejo e muitos consumidores estão estocados. E o auxílio social de R$ 300,00 está terminando e é fonte de renda de 50 milhões de brasileiros, o que também pode interferir no fluxo, volume e valor de comercialização.

Comércio exterior

Segundo o boletim semanal do Cepea/Esalq, as importações brasileiras de arroz seguem em altos volumes há três meses. Em novembro, o volume adquirido pelo Brasil foi o maior desde dezembro de 2003, com destaque para as compras dos Estados Unidos, que também são as mais elevadas em quase 17 anos.

"O crescimento das importações está atrelado à isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) para aquisição de 400 mil toneladas da matéria-prima de outras origens, que não o Mercosul, anunciada em setembro deste ano. Entretanto, foi somente em novembro que o Brasil importou um volume substancial de produto dos EUA", diz o relato.

Segundo o relatório e a indicação da Secex, chegaram aos portos brasileiros 186,37 mil toneladas de arroz (equivalente casca) no mês passado, 27,3% superior ao volume recebido em out/20 e expressivo crescimento de 185,5% em relação a novembro/19.

"Deste volume, 30,1% (56 mil toneladas) vieram dos Estados Unidos, seguido por Paraguai (25,7%), Uruguai (25%) e Argentina (8,9%). Outros 6,3% das importações vieram da Índia, 2,4%, do Suriname e 1,6% veio de sete diferentes países. No acumulado deste ano, as importações superam 1,05 milhão de toneladas em equivalente arroz em casca, o volume mais alto em três anos.

Em novembro, o preço médio da importação foi de US$ 336,35/t de arroz em casca, equivalente a R$ 1.823,00/tonelada (ou R$ 91,15/sc de 50 kg), FOB (Free on Board, origem), o segundo maior valor nominal da série da Secex. Este valor está 1,3% abaixo do registrado em outubro/20, e inferior ao do mercado interno, sem considerar o transporte e a internacionalização do produto.

Quanto às exportações, somaram 72,74 mil toneladas em equivalente casca em novembro/20, recuo de 52,6% frente ao mês anterior e 44,3% abaixo da quantidade observada no mesmo mês de 2019. Os principais destinos (91% do total) foram Estados Unidos, Venezuela e Peru. Outros 53 países absorveram 9% dos embarques. De janeiro a novembro de 2020, as exportações somam 1,77 milhão de toneladas em equivalente arroz em casca.

O preço médio do arroz exportado foi de US$ 287,76/t em novembro, equivalente a R$ 1.559,68/tonelada (ou R$ 77,98/sc de 50 kg), FOB (Free on Board, origem), 9,2% superior ao de outubro/20", informa o Cepea/Esalq.

Na parcial da temporada 2020/21 (de março a novembro/20), as exportações superam as importações em 705,4 mil toneladas. Em valores, o superávit é de US$ 178,64 milhões. No mesmo período do ano passado (de março a novembro/19), a balança comercial sinalizava exportações maiores em 156,91 mil toneladas e superávit de US$ 47,45 milhões. Fonte: Planeta Arroz



5 visualizações0 comentário