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Mercado registra valorização pontual do arroz, mas queda na liquidez

(Por Cleiton Evandro dos Santos, AgroDados/Planeta Arroz) A entrada no mercado de algumas tradings com meta de exportação gerou um “respiro” para os preços referenciais no mercado do Rio Grande do Sul na última semana, e com isso as cotações evoluíram, ainda que muito pouco para fazer frente aos custos médios indicados para o produto colhido no ciclo 2021/22 e mais ainda quando se estima o investimento na safra 2022/23. Santa Catarina acompanhou o progresso, ainda que mantendo-se levemente abaixo dos patamares gaúchos.


A confirmação de compras para novo embarque de 30 mil toneladas para o México (o terceiro este ano comercial), no caso do arroz em casca, e a saída – apesar da demora no carregamento por causa das chuvas – de um navio com arroz branco para o Peru (5% quebrados) e outro pra Cuba (13% quebrados) a movimentação dos quebrados (meio grão) valorizados no mercado internacional movimentou as cotações. Embora, exceto o navio pro México, todos sejam negócios firmados ainda em abril/maio e com dólar travado, criou-se um clima otimista depois dos pífios resultados da balança comercial nos dois últimos meses. No ano comercial, de março a fevereiro, o país tem um déficit superior a 100 mil toneladas na balança comercial.


A esperança referente a uma maior participação do Brasil no mercado internacional, fundamental para elevar as cotações internamente, permanece focada no segundo semestre, na desvalorização do Real perante o dólar e numa safra mais tímida do hemisfério norte, em especial, nos Estados Unidos e parte do Caribe.


Esta semana o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá divulgar números oficiais da área plantada com arroz. A previsão, inicial, é de uma queda de 20% a 30% na superfície com grãos médios e curtos, predominantes na Califórnia, por falta de água no Vale do Sacramento, e um recuo em torno de 3% a 5% nos grãos longo-finos, que compete por clientes com o Mercosul.


No mercado interno, os produtores que terminaram a última semana fortalecendo a oferta, recuaram e seguiram barganhando uma valorização. Algumas indústrias precisaram disputar com as referências do porto, geralmente entre R$ 1,00 e R$ 2,00 por saca acima das referências domésticas. Isso gerou uma alta equivalente na média da saca de 50 quilos, em casca, 58×10, no RS.


A referência passou de R$ 71,00 para R$ 72,50 a R$ 73,00 na maioria das praças.

Como para fechar lotes no porto alguns produtores chegaram a obter R$ 77,50 (frete incluso) e houve recuo da oferta, a (nova) alta dos fretes neutralizou parcialmente a valorização.

O Indicador de Preços do Arroz Cepea/Irga, para o arroz em casca no RS (50kg, 58×10) acumula valorização de 2,89%, a R$ 73,75 de referência na sexta-feira (24), equivalente a US$ 14,03 pelo câmbio do dia.


Em Santa Catarina, preço médio de R$ 68,00 a R$ 70,00, dependendo da praça e região. Esta semana, a notícia mais impactante do setor foi um protesto de arrozeiros de Meleiro e região à frente de uma empresa cerealista de Turvo, no Sul Catarinense, que não vem realizando os pagamentos pela matéria-prima, embora permaneça beneficiando e enviando ao varejo. Cerca de 30 produtores estiveram na empresa reclamando o pagamento de uma dívida que se aproxima de 100 mil sacos de arroz.


BAIXA LIQUIDEZ


Por parte da indústria brasileira, cresceram as queixas sobre a falta de liquidez, em especial pela disparidade entre o preço de compra da matéria-prima e da venda – ao varejo – do arroz beneficiado. As margens muito enxutas impedem, a menos que sob obrigação de contrato, algumas negociações. Apesar dos rizicultores “de costas para o mercado”, isto é, ofertando pouco, a leitura do varejo é de que há muito arroz na indústria e nas propriedades e ele trabalha com uma expectativa de oferta sem grande alteração de preços. E segue na estratégia de manter o estoque sobre rodas e o mínimo possível para o abastecimento normal nas lojas e armazéns.


Alguns industriais, em reunião setorial, destacaram que as empresas estão operando no limite para evitar prejuízos, e ainda assim há marcas operando com “margens negativas”. Um grupo de produtores se reuniu esta semana com o ministro da Agricultura, Marcos Montes, e solicitou alongamento do vencimento das dívidas, atenção ao seguro agrícola e isenção de tributos ou concessão de subsídios aos combustíveis e à cesta básica.


PREÇO AO CONSUMIDOR


A pequena reação dos valores da matéria-prima ainda não trouxe mudanças importantes nos preços aos consumidores. A média de preços nas capitais pesquisadas por Planeta Arroz, para o pacote de cinco quilos do arroz branco, Tipo 1, ficou entre R$ 20,00 e R$ 22,00, com máxima próxima de R$ 35,00 para tipos “extra” Brasil a fora e mínima de R$ 13,99 nas ofertas e marcas próprias do varejo nos supermercados gaúchos. A próxima semana tende a ser morna, uma vez que os varejistas já fizeram suas compras para o início do mês de julho.


TENDÊNCIAS


A tendência desta semana é de enfraquecimento nos movimentos, por conta da virada do mês. O varejo segue conhecendo seus limites e as grandes indústrias ainda estão abastecidas. Se o USDA indicar uma quebra mais substancial do que o esperado nos EUA, poderá crescer a demanda por produto do Mercosul e esta seria uma grande notícia. O dólar, a seguir valorizando, poderá colaborar para novos negócios. Isso obrigaria as pequenas e médias indústrias a avançarem no sentido das compras, sempre perseguindo aquela diferença de R$ 1,00 a R$ 2,00 das tradings.


Essa é uma equação cada vez mais difícil, pois a margem não só está muito estreita como também, em alguns casos, está inviabilizando negócios.


O produtor, por sua vez, espera o anúncio de um novo Plano Safra (que de novo pode não ser garantia de recursos chegando à ponta) com juros ainda na casa de um dígito e abundância de crédito. O mercado, porém, prevê um anúncio importante de valores, juros acima de 10% e, um Plano com forte risco de ser apenas mais uma promessa eleitoral com restrições ao orçamento, filme que o produtor conhece há décadas. Resta-nos, torcer por um Plano Safra efetivo, cujos recursos cheguem às lavouras, o crédito seja validado e que os juros estejam em nível que permita o pagamento por parte das empresas e agricultores.


Fonte: Planeta Arroz


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