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Para a próxima safra, será necessário o dobro de sacas de soja para cobrir custos com fertilizantes

Nenhum fertilizante está tão caro que não possa ficar ainda mais. A adaptação da expressão popular descreve o cenário de preços do insumo no Brasil. Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP divulgado ontem mostra que, na média, o produto dobrou de valor no intervalo de um ano.


Projeção para a safra 2022/2023 feita a partir de dados de março aponta um aumento de 103,4% no gasto médio com esse item na produção de soja na comparação com igual mês de 2021. Em artigo sobre o tema, Mauro Osaki, pesquisador da área de Custos Agrícolas do Cepea, exemplifica o encarecimento por meio de sacas de soja necessárias para cobrir esse custo por hectare, que passou de 7,9 para 13,3. Em relação a fevereiro, esse gasto médio teve avanço de 29,6%.


A majoração traz consigo os reflexos da guerra Rússia-Ucrânia, que amplificou a trajetória de alta verificada no ano passado. Na verdade, a expectativa global era de que 2022 pudesse trazer uma reacomodação de preços. Mas o conflito acabou intensificando a escalada de valores, mediante a incerteza do abastecimento a partir das sanções econômicas impostas aos russos.


“Esse contexto tem dificultado as transações de fertilizantes e também de trigo e de outros produtos do país russo. Embora em março o dólar tenha se desvalorizado frente ao Real, a queda na taxa de câmbio não foi suficiente para impedir novas elevações nos preços dos fertilizantes no Brasil”, detalhou Osaki no artigo.


Para o milho primeira safra, o gasto com fertilizantes orçado em março pelo Cepea cresceu 30,6% sobre o mês anterior e 91,5% na comparação com o ano passado. São 56,2 sacas para cobrir a despesa, ante 21,9 sacas em março de 2021. O encarecimento do produto também se verifica nas culturas de feijão, arroz irrigado e trigo.


Por composto, a maior alta foi do cloreto de potássio: 153,6%, com o valor de R$ 6.171,50 por tonelada em março. Na cotação média, o fosfato monoamônico subiu 63,6% em relação à igual comparação. Na ureia, a expansão foi de 97,3%.


O impacto do conflito já havia aparecido no índice de inflação dos custos de produção (IICP) divulgado pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) no final de abril. Conforme a assessoria econômica da entidade, o fertilizante corresponde a 40% do custo operacional das lavouras. E cerca de 20% do que o Brasil importa vem da Rússia.


Fonte: Zero Hora





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