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Quebras de safra já deixam navios esperando para embarcar soja 2021/22 nos portos do Brasil

As estimativas para a safra brasileira de soja 2021/22 continuam a ser corrigidas ao passo em que as condições de clima permanecem adversas e os efeitos sobre o mercado aparecem e vão se intensifcando. O lineup para este mês nos portos brasileiros é de quase três milhões de toneladas, os navios estão esperando para serem carregados e não há produto para isso.


"O Paraná seria o primeiro a colher, essa soja já deveria estar nos portos, mas as baixas produtividades que são relatadas mostram que não há produto para isso agora", explicou o consultor em agronegócios Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios. "Temos um problema grave de oferta".


Nesta semana, o Deral (Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Paraná) cortou sua estimativa para a safra para 13 milhões de toneladas contra o número de 18,4 milhões de dezembro e frente às projeções iniciais de 21 milhões.


O Brasil teria potencial, de acordo com o especialista, para exportar perto de 92 milhões de toneladas de soja neste ano, volume este que pode ficar para trás diante da quebra da safra. Além das perdas ocasionadas pela estiagem - que são as mais severas - o excesso de umidade no centro-norte do país também pode tirar produtividade das lavouras ou provocar - como já tem sido registrado em algumas regiões - perda de qualidade dos grãos. As estimativas para a safra brasileira de soja 2021/22 continuam a ser corrigidas ao passo em que as condições de clima permanecem adversas e os efeitos sobre o mercado aparecem e vão se intensifcando. O lineup para este mês nos portos brasileiros é de quase três milhões de toneladas, os navios estão esperando para serem carregados e não há produto para isso. "O Paraná seria o primeiro a colher, essa soja já deveria estar nos portos, mas as baixas produtividades que são relatadas mostram que não há produto para isso agora", explicou o consultor em agronegócios Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios. "Temos um problema grave de oferta". Nesta semana, o Deral (Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Paraná) cortou sua estimativa para a safra para 13 milhões de toneladas contra o número de 18,4 milhões de dezembro e frente às projeções iniciais de 21 milhões. O Brasil teria potencial, de acordo com o especialista, para exportar perto de 92 milhões de toneladas de soja neste ano, volume este que pode ficar para trás diante da quebra da safra. Além das perdas ocasionadas pela estiagem - que são as mais severas - o excesso de umidade no centro-norte do país também pode tirar produtividade das lavouras ou provocar - como já tem sido registrado em algumas regiões - perda de qualidade dos grãos.

Os estoques globais da oleaginosa vinham de uma temporada de ajuste e volumes bastante apertados, precisando de produções robustas na safra atual para serem adequadamente recompostos, o que não aconteceu, principalmente na América do Sul. E mesmo com preços altos, a demanda tende a seguir seu curso e mesmo que caminhe um pouco mais lentamente do que em anos anteriores, ainda como explica o consultor, será presente e forte. E não só pela soja em grão, mas também pelos derivados.

"Os biocombustíveis estão pagando bem nos Estados Unidos, com boas margens sendo registradas para o etanol e para o biodiesel. E a China não vai deixar de comprar só por conta dos preços mais altos, estamos falando de alimentos, eles precisam comprar", diz Fernandes. Internamente, o quadro não será diferente. As margens de esmagamento tanto do farelo, quanto do óleo estão bastante firmes para a indústria processadora e assim, "irá processar tudo o que puder", acredita o consultor.

Na próxima semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz seu novo boletim mensal de oferta e demanda e deverá, segundo expectativas do mercado, apresentar números corrigidos para a safra da América do Sul e, consequentemente, para a mundial. Em seu boletim de dezembro, a produção global foi estimada em 381,78 milhões de toneladas e os estoques finais em 102 milhões.

Na temporada anterior, os números do USDA foram de, respectivamente, 346,63 milhões e 99,81 milhões de toneladas. Assim, é possível observar que as últimas estimativas do USDA de um ano para o outro mostraram um aumento tímido do lado da oferta. E ao mesmo tempo, com números que já eram apertados e que podem ficar ainda mais, os mapas seguem sem mostrar alívio para importantes áreas de produção da América do Sul, de onde vem quase 50% da oferta mundial da oleaginosa.

Segundo Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting, a demanda global por soja na temporada está estimada em 380 milhões de toneladas, um pouco maior em relação a anterior.


"A Argentina deverá ficar sem boas chuvas, pelo menos, até o dia 19 de janeiro de acordo com os que mapas estão mostrando agora. E além do risco climático, o país já tinha previsto uma área bem menor cultivada com soja. A Argentina pode colher menos de 40 milhões de toneladas", acredita Ênio Fernandes. "O clima dos próximos 20 dias serão determinantes. E só o clima ", completa.


No Paraguai, as perdas também são graves, a safra se distancia de 10 milhões de toneladas de suas estimativas iniciais e o país já anunciou medidas de socorro à agricultura frente ao quadro de severa estiagem.


Para o Brasil, as perdas estão se acumulando nos campos e os números de consultorias privadas começam já a ser corrigidos. Somente nesta semana, a StoneX já revisou sua projeção para a colheita brasileira de 145 para 134 milhões de toneladas. A estimativa da Terra Agronegócios é de algo "orbitando próximo de 130 milhões de toneladas" e os recordes de safra esperados vão ficando pelo caminho.

Para a Safras & Mercado o número ainda não foi atualizado, mas a estimativa será cortada, adianta o analista de mercado Luiz Fernando Gutierrez. "Não tem como ser diferente. Precisaremos cortar no Sul, talvez algo em algum estado do Centro-Oeste, e os destaques negativos são Paraná e Rio Grande do Sul", diz. Os novos números da consultoria chegam no dia 14.


Também na semana que vem, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) atualiza suas projeções e deverá trazer uma revisão nos números da safra 2021/22, atualmente estimada em 142,8 milhões de toneladas.


COMERCIALIZAÇÃO


Esses números e estimativas que são deixados para trás se refletem em um comportamento muito mais reticente dos produtores sul-americanos para a efetivação de novos negócios. Tanto no Brasil, quanto no Paragui e na Argentina, os sojicultores evitam novas vendas agora, buscando entender, primeiro, qual será o tamanho de sua safra e como cumprirá os contratos que já firmou.


"E nos EUA o produtor também não vai vender, vai esperar o mercado romper os US$ 14,00 e vai olhar os mapas entender o clima da América do Sul nos próximos 20 dias", diz Fernandes. E no Brasil, além dos altos patamares em Chicago - que têm espaço para se manterem ainda em patamares elevados, com ambiente para testarem novas altas tão logo as adversidades continuem - soma-se ainda um dólar próximo dos R$ 5,70 e prêmios que seguem positivos.


O cenário que vai se desenhando para o mercado brasileiro de soja é bem diferente do que se projetava no início da safra, uma vez que com a chegada mais cedo da oferta 2021/ que vinha sendo esperada e mais as exportações mais lentas sendo registradas nos EUA, os prêmios, Chicago e, consequentemente, as referências no mercado nacional poderiam ser pressionadas.

Ainda de acordo com o levantamento da Brandalizze Consulting, o Brasil já comercializou cerca de 50 milhões de toneladas de soja da safra 2021/22.


Para Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest Commodities, mais uma vez será possível observar o mercado brasileiro da soja descolado de Chicago no segundo semestre, com preços ainda bastante remuneradores sendo esperados ao se contabilizar prêmios que seguem positivos e um dólar futuro superando os R$ 6,00. "Será um ano de grandes desafios", disse Araújo em entrevista ao Notícias Agrícolas.


Fonte: Notícias Agrícolas




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