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Se a colheita do arroz no RS fosse hoje, a conta não fechava

Se em 2020 foi a valorização do arroz que ganhou destaque, na arrancada do plantio da próxima safra no Estado, é a curva de ascensão dos custos que preocupa. Principalmente porque o preço pago ao produtor caiu 4,28% nos últimos 30 dias, aponta o indicador Cepea/Senar-RS. Hoje, para fazer frente ao gasto na produção do cereal, a saca de 50 quilos teria de valer R$ 76,32. E está em R$ 73,26.

– Não cobriria o custo – pontua Francisco Schardong, ccoordenador da Comissão de Arroz da Federação da Agricultura do RS (Farsul).

O chamado ponto de equilíbrio (preço da saca para empatar com as despesas)é projetado pela Farsul, a partir do levantamento feito pelo projeto Campo Futuro (que engloba a entidade, a CNA e o Cepea). A base de referência do cálculo é Uruguaiana, na Fronteira Oeste.

Entre os itens que têm encarecido custos estão os fertilizantes que aumentaram 74% entre agosto deste ano e o de 2020. Logo depois vêm frete (+39%), sementes (+32%), capital de giro (+26%), químicos (+21%) e operações mecânicas (+21%). Em contrapartida, não só o preço da saca caiu como o ponto de equilíbrio subiu. O avanço de 16% no custo e a queda de 3% no preço encolheram a margem bruta em 64% – na comparação de agosto de 2021 com igual mês do ano passado.

– Acendeu a luz amarela. A lavoura tem de ser feita com muita parcimônia, cálculo. Quem puder fazer consórcio com a soja é importante, porque pode equilibrar – reforça Schardong.

O dirigente acrescenta que a entidade vinha pontuando para que o produtor se programasse a partir do bom momento vivido na atividade em 2020. E alertando para a necessidade de redução de área cultivada.

No primeiro levantamento do ciclo, da chamada intenção de plantio, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apontou previsão de 957,45 mil hectares. A área representa leve redução, de 1,2%, sobre a intenção de plantio no ciclo passado, mas é maior do que a efetivamente cultivada.

Boletim divulgado nesta quinta-feira pelo instituo indica que 36% do total estimado para o arroz já foi semeado, com a Fronteira Oeste sendo a mais adiantada. No cultivo de soja em rotação com o arroz, o percentual de plantio já chega a 87% dos 408,12 mil hectares previstos – a maior área nesse sistema até o momento.


Fonte: Zero Hora




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