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Soja: Demanda é firme nos EUA e no BR, oferta está cada vez mais restrita e é sinal importante para

Os números trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quinta-feira (26) das vendas norte-americanas de soja para exportação dão mais um sinal da demanda intensa pelo produto neste momento, inclusive para a soja 2021/22, que tem sua oferta cada vez mais apertada. "O USDA terá que revisar sua estimativa de 58,24 milhões de toneladas para a demanda para cima novamente", afirma o consultor de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities.


Afinal, de acordo com o reporte desta quinta, o país já comprometeu 59,5 milhões de toneladas da oleaginosa e o ano comercial segue até 31 de agosto. Na semana encerrada em 19 de maio, as vendas foram fracas e somaram 'apenas' 276,8 mil toneladas. Apesar de fracos, os volumes continuam a ser vendidos e continuam ajustando os estoques finais de soja dos EUA. Em seu último boletim mensal de oferta e demanda, a projeção do USDA foi de 6,39 milhões de toneladas, número que também pode ser revisado caso o movimento continue com este ritmo.


Também no reporte desta semana, os dados mostraram um cancelamento de 108 mil toneladas de soja da safra velha por parte do USDA, enquanto indicou compras por destinos não revelados de 284 mil da safra velha. E assim a demanda pela soja americana vai, ao mesmo tempo, se fortalecendo e buscando se equilibrar.


Os números mostram também que, para a safra 2022/23, as vendas norte-americanas de soja alcançam um volume recorde e já somam 11,8 milhões de toneladas.


Mais do que a demanda por exportação, a demanda interna por soja nos Estados Unidos também está muito agressiva, e a pouca oferta disponível neste momento tem se tornado cada vez mais intensa, como explicou o diretor geral do Grupo Labhoro, Ginaldo Sousa. "As indústrias americanas nunca ganharam tanto dinheiro com farelo e óleo como agora", diz, salientando o consumo intenso da oleaginosa, principalmente pelo setor do biodiesel.


Mais do que isso, quando se trata do setor de óleos vegetais, a escassez do subproduto de todas as origens no mundo todo, encabeçada pelo óleo de palma, puxa os preços também do óleo de soja e vão aprofundando essa relação dos valores, com a busca pela matéria-prima pelas indústrias processadoras chinesas.


Dessa forma, Sousa complementa sua análise dizendo que esta demanda interna forte pela oleaginosa nos EUA que encurta cada dia mais a oferta no país faz com que a busca pela soja do Brasil vá se intensificando. "A soja brasileira está sendo muito demandada pelos estrangeiros, e deveremos ver (nas próximas semanas) uma limitação das exportações americanas. Tivemos vendas de mais de 200 mil toneladas nesta semana, mais de 400 mil na semana passada, e isso é muito para esta época", diz.


Com todo este quadro puxando os preços da soja na Bolsa de Chicago, o reflexo para as cotações da commodity no mercado brasileiro também aparece. Os patamares mais elevados se somam aos prêmios ainda altos para a soja do Brasil, mas mesmo assim ainda figura como alternativa importantes para os compradores. Segundo apuração da Agrinvest, nesta semana "se fala em sete navios para embarque fevereiro 2023. As crushers na China estão comprando e já estão vendendo basis do farelo no mercado chinês. Isso confirma que eles estão com margem para 2023", ainda como explica Eduardo Vanin.


Todavia, o analista completa afirmando que "a grande barreira para mais negócios para 2023 no Brasil é o farm selling muito baixo. Produtores brasileiros continuam fazendo conta".


Assim, embora a oferta esteja em xeque neste momento, com a nova safra dos Estados Unidos em andamento, os rumos que a demanda vai tomar, seja para a soja da velha ou da nova safra serão chaves importantes para compreender o caminho que os preços da oleaginosa vão trilhar, seja na Bolsa de Chicago, ou no mercado brasileiro.


Fonte: Notícias Agrícolas



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