Dólar sobe a R$ 5,25, após 4 altas, e Ibovespa cai 1% no 9º dia de queda
- comercial18125
- há 5 horas
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O dólar acelera a tendência de alta nesta sexta-feira, chegando a R$ 5,25, maior cotação desde março, emendando o quinto dia seguido de variação positiva ante o real, puxado pela saída de recursos da Bolsa. O Ibovespa, principal índice de ações do país, opera hoje em queda novamente, caminhando para o nono pregão de perdas. Investidores reagem hoje a novo capítulo na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, com a abertura do processo de reciprocidade por parte do governo brasileiro contra sobretaxas do governo americano. Na temporada de balanços, Braskem e Ânima estão entre os destaques hoje.
O que aconteceu
Dólar sobe a R$ 5,25 após quatro dias de alta. A moeda dos Estado Unidos é negociada nesta sexta-feira cotada no comercial para a venda a R$ 5,246 às 13h20h, alta de 1,04% ante o fechamento de ontem. A última vez que a divisa fechou acima de R$ 5,25 foi em 24 de março.
Moeda americana vem de quatro sessões seguidas de alta ante real. Nesta semana, a divisa saltou de R$ 5,08 para R$ 5,19, maior patamar desde 1º de julho. Segundo profissionais do setor financeiro, possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos neste semestre e dúvidas com a trajetória da dívida pública brasileira a partir do ano que vem, após as eleições são dois fatores que alimentam esse movimento. Mercado reage à escalada da disputa comercial entre Estados Unidos e Brasil. Ontem, o governo federal iniciou o processo para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) começou a analisar o enquadramento das medidas americanas, enquanto o Itamaraty vai notificar oficialmente o governo dos EUA e abrir consultas diplomáticas.
"Para a Bolsa, o efeito no curto prazo é de prêmio de risco adicional num momento em que o índice já vinha fragilizado. O investidor passa a precificar dois cenários. No benigno, que é o nosso, a abertura formal do processo acelera negociação e vira gatilho de alívio, beneficiando justamente os setores mais expostos ao mercado americano. No adverso, uma escalada com contramedidas efetivas e resposta de Washington pressiona exportadoras com receita relevante nos EUA e encarece cadeias que dependem de insumos americanos."
-Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Investidores monitoram impactos nas empresas de setores mais afetados pela disputa. Relatório da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) mostra que a queda de 12% das exportações brasileiras aos Estados Unidos neste ano foi puxada justamente pelos produtos mais afetados pelas sobretaxas, enquanto o déficit comercial brasileiro com os americanos avançou para US$ 2,3 bilhões.
"Como os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, uma escalada das tensões pode prejudicar as exportações brasileiras, reduzindo a entrada de dólares via comércio exterior. Além disso, o ambiente de maior incerteza tende a elevar a percepção de risco sobre os ativos nacionais, fator que normalmente exerce pressão negativa sobre o real."
-Leonel Oliveira Mattos, economista na StoneX.
Ibovespa tem mais um pregão de queda após oito pregões seguidos de perdas. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 recuava 1,03% às 13h20, marcando 165.307 pontos. Ontem, após recuo de 0,23%, cedeu aos 167.100 pontos, menor patamar desde 20 de janeiro.
"O impacto da reciprocidade tende a ser seletivo: empresas exportadoras para os Estados Unidos, dependentes de insumos americanos ou inseridas em cadeias internacionais ficam mais expostas, mas a repercussão ganhará força apenas se a Camex recomendar medidas efetivas e os Estados Unidos responderem com novas retaliações."
-Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações. Bolsa brasileira é impactada por saída de recursos estrangeiros. Neste mês, o saldo líquido — aportes ante saques — está negativo já em mais de R$ 11 bilhões, reduzindo o superávit no ano à cada dos R$ 30 bilhões. Esse saldo negativo é o segundo maior para um mês em 2026, atrás apenas de maio, que registrou retirada de R$ 14,91 bilhões, segundo dados da Elos Ayta, elaborado com base nos dados da B3 e sem considerar aportes em IPOs e follow-ons.
"O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em queda de 6,12% acumulada nos últimos oito pregões. A última vez que o principal índice da Bolsa brasileira havia registrado oito quedas consecutivas foi em 10 de agosto de 2023, mas nessa sequência, a queda foi menor, de 2,95%. O movimento atual, portanto, chama atenção não apenas pela duração da sequência, mas também pela intensidade da correção."
-Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta.
Fonte: UOL

Imagem: Canva IA



