Soja atinge menor preço em Chicago desde agosto
A perspectiva de uma grande safra de soja nos Estados Unidos está pressionando as cotações internacionais da oleaginosa. Na quinta-feira, 15 de outubro, o primeiro contrato negociado na Bolsa de Chicago fechou a US$ 12,63 por bushel, menor valor registrado desde 27 de agosto. A queda ganhou força após a divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo análise da CEEMA, os números confirmaram uma produção norte-americana elevada e estoques maiores do que os estimados anteriormente.
A safra dos Estados Unidos está projetada em 124,2 milhões de toneladas, quase um milhão de toneladas acima da previsão de setembro. Os estoques finais do país também foram revisados para cima, chegando a 8,57 milhões de toneladas na temporada 2026/27.
No cenário mundial, a produção de soja poderá atingir 442,7 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais são estimados em 124,3 milhões de toneladas. As duas projeções apresentaram aumento em relação ao levantamento anterior, ampliando a expectativa de disponibilidade da oleaginosa no mercado internacional. A colheita norte-americana também avançou. Até 11 de outubro, 46% da área cultivada havia sido colhida, contra 25% na semana anterior. Apesar da recuperação, o percentual ainda estava abaixo da média histórica de 50% para o período.
O andamento dos trabalhos apresenta diferenças entre as regiões produtoras. Em Iowa, apenas 31% da área havia sido colhida, diante de uma média de 59%. Já Illinois, maior estado produtor de soja do país, registrava 48% da colheita concluída, acima da média histórica de 46%.
O USDA informou ainda que 57% das lavouras restantes estavam em condições boas ou excelentes. Outros 29% apresentavam condições regulares e 14% eram classificados entre ruins e muito ruins.
No comércio exterior, a China voltou a movimentar o mercado com novas compras de soja norte-americana. Empresas estatais chinesas adquiriram entre oito e dez navios Panamax, com embarques previstos a partir de dezembro. Cada embarcação possui capacidade aproximada de 65 mil toneladas.
As operações se somam às compras de aproximadamente 13,7 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos já realizadas pela China, mais da metade da meta de 25 milhões de toneladas para o ano comercial 2026/27.
Na América do Sul, a Argentina também apresenta expectativa de crescimento. A produção de soja do país está projetada em 52,5 milhões de toneladas, avanço de 4% em relação à temporada anterior. Parte dessa expansão poderá ocorrer com a transferência de áreas de milho para soja em regiões onde o risco de cigarrinha influencia o planejamento dos produtores.
Com estoques maiores, avanço da colheita norte-americana e novas compras chinesas, o mercado internacional da soja acompanha movimentos importantes tanto na oferta quanto na demanda. A confirmação das projeções de produção e o ritmo das aquisições da China devem continuar influenciando os preços da oleaginosa.
Fonte: Agro Link

Imagem: Canva IA



