Soja: China tem estoques recordes e muda cenário de compras
A cotação da soja voltou a ficar abaixo de US$ 13 por bushel em Chicago, pressionada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e por sinais de menor demanda chinesa. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o movimento ocorre após uma alta de 16% da oleaginosa nos últimos três meses.
O contrato de soja para o primeiro mês cotado fechou setembro em US$ 12,93 por bushel. No dia 1º de outubro, a cotação recuou novamente, para US$ 12,84. Uma semana antes, o valor era de US$ 13,17 por bushel. A média de setembro ficou em US$ 13,06, 9% acima da média registrada em agosto.
Apesar da queda recente, a soja acumulou alta de 16% em Chicago entre julho e setembro. Em setembro de 2025, a média mensal havia sido de US$ 10,19 por bushel. O farelo de soja também perdeu valor. Depois de atingir US$ 376,10 por tonelada curta em 24 de setembro, o produto recuou para US$ 352,10 em 1º de outubro, uma queda de 6,4% em cinco dias úteis.
Segundo dados divulgados pela CEEMA, um dos fatores para o recuo recente é o avanço da colheita nos Estados Unidos. Até 27 de setembro, os trabalhos haviam alcançado 17% da área semeada. A expectativa é de uma produção norte-americana um pouco acima de 123 milhões de toneladas. Até o momento, a safra dos Estados Unidos não demonstra ter sofrido perdas em função das condições climáticas.
O relatório de estoques trimestrais, com posição em 1º de setembro e divulgado no dia 30, apontou 8,57 milhões de toneladas de soja nos Estados Unidos. O volume representa queda de 3% em relação à mesma data de 2025. O recuo, porém, foi considerado pouco significativo diante das expectativas do mercado.O USDA manteve em 58% o percentual das lavouras de soja dos Estados Unidos classificadas em boas ou excelentes condições até 27 de setembro. O índice está abaixo dos 62% registrados no mesmo período de 2025. Outros 29% das lavouras foram classificadas em condições médias, enquanto 13% estavam entre ruins e muito ruins.
As exportações norte-americanas, por outro lado, apresentaram avanço. Na semana encerrada em 24 de setembro, os embarques de soja dos Estados Unidos somaram 1,15 milhão de toneladas. O volume ficou bem acima do registrado na semana anterior e superou as expectativas do mercado.
No acumulado do atual ano comercial, iniciado em 1º de setembro, as exportações chegaram a 2,8 milhões de toneladas, 26% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
A principal pressão sobre as cotações, segundo dados divulgados pela CEEMA, veio da China. A tendência é de redução das compras chinesas de soja nos próximos meses, diante da fraca demanda por ração animal e das margens negativas de esmagamento no país asiático. Esse cenário reduz o espaço para novas cargas provenientes dos Estados Unidos.
Outro fator que frustrou o mercado foi a reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da China na semana passada. A soja ficou de fora da proposta de alívio tarifário.
A China planeja reduzir tarifas sobre uma ampla gama de produtos agrícolas norte-americanos, mas a soja, principal produto agrícola importado do país asiático dos Estados Unidos, foi excluída da lista de redução tarifária.
Os processadores privados de oleaginosas da China já teriam suprido a maior parte de suas necessidades até o início de fevereiro, com compras realizadas no Brasil, na Argentina e por meio de reservas estatais. Os estoques de soja em 111 fábricas de processamento chinesas chegaram a 7,96 milhões de toneladas na semana de 25 de setembro.
Segundo dados divulgados pela CEEMA, esse foi o maior nível registrado em pelo menos 15 anos. O aumento dos estoques, combinado com a menor demanda por ração animal, as margens negativas de esmagamento e a indefinição sobre as tarifas para a soja norte-americana, aumenta a pressão sobre as cotações em Chicago.
Fonte: Agro Link

Imagem: Canva IA



